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Esporte a vela como pratica de Educação Física escolar

23 de agosto de 2017

Introdução

A Educação Física atualmente assume uma função muito ampla e importante na formação dos futuros cidadãos, isso fica claro no texto sobre os objetivos gerais de educação física no ensino fundamental, contido nos Parâmetros Curriculares Nacionais da Educação Física – PCN, que objetiva a formação de pequenos cidadãos.

Acredita-se então que a disciplina Educação Física tem muito a contribuir na construção dos futuros cidadãos. Acredita-se ainda que esta tão importante função na geração e transformação destes pequenos cidadãos provoca a necessidade de ousar e transcender os muros físicos e conceituais dos estabelecimentos de ensino e suas metodologias administrativas e pedagógicas. Deve-se então buscar uma metodologia de ensino e administrativa tão ampla e completa como são os objetivos pretendidos pelos órgãos mantenedores da educação nacional e pela sociedade brasileira, atendendo as necessidades atuais de nossas crianças que vivem neste mundo globalizado. Considera-se que o esporte a vela vem de encontro aos objetivos e anseios dos órgãos responsáveis pela educação.

O uso deste milenar esporte que alcança uma grande variedade de faixa etária, possibilitando a prática de crianças e pessoas com idades mais avançadas, bastando que seja adequado o material à individualidade biológica e a idade do praticante. Sua prática também permite o uso no lazer ou competição, em grupo ou individualmente. Estes importantes fatores, que incitaram a escolha do Iatismo como esporte, de excelente potencial educativo, pois julga-se que a capacidade deste esporte em desenvolver a maioria das valências físicas necessárias para o desenvolvimento humano; a forte ligação que ele proporciona entre o praticante e a natureza; a capacidade de desenvolver o lado cognitivo e psicológico do seu participante, são fundamentais.

Com o objetivo de analisar o uso do Iatismo como um esporte educacional, apresenta-se ao leitor uma pesquisa filosófica entre a metodologia de ensino do esporte da natureza, Iatismo; utilizada pela Yacht Escola de Vela no município de Cabo Frio e a metodologia utilizada no esporte tradicional das aulas de educação física. Ao se pesquisar esta metodologia de ensino e se comparar à metodologia do esporte escolar tradicional, podem-se fazer uma analise das possibilidades do uso do esporte e seus equipamentos na obtenção dos objetivos gerais e específicos da Educação Física, contidos nos Parâmetros Curriculares Nacionais. Com isso serão analisados neste trabalho: as orientações didáticas quanto aos métodos, Global, Parcial e Misto (XAVIER, 1986); a possível existência de uso dos temas transversais; as principais valências físicas trabalhadas; as possibilidades de empregar atividades com características sócio-afetivas; a organização didática, quanto aos planos de curso e aula; e as três funções da avaliação, segundo Libaneo (1994): pedagógico-didática, de diagnóstico e de controle. Após uma larga análise de todos os fatores que se acredita serem importantes para elucidar o assunto, há de se ter, então avistado “terra” com uma conclusão sobre o debatido nesta monografia.

Desenvolvimento

Após se efetuar uma larga analise dos conceitos, leis, definições, determinações, visões, critérios, princípios e regulamentações sobre a ação metodológica do educador físico, através de uma pesquisa filosófica e tomando como base os órgãos nacionais e internacionais responsáveis pela Educação e pela Educação Física e autores literários dos respectivos assuntos, sendo assim foi possível se elaborar uma analise com o objetivo de resolver o seguinte problema central: O esporte a vela detém condições de desenvolver uma metodologia de Educação Física, trabalhando valências físicas e cognitivas e os objetivos solicitados pelos órgãos educacionais mantenedores, como as metodologias dos esportes escolares tradicionais? Foi efetuada uma pesquisa filosófica onde a primeira investigação encaminhada foi à apresentação e a apreciação do material de planejamento e a organização para o controle das atividades de ensino. Dentro do material trabalhado na referida escola se observou à presença de um plano de curso, lista de presença, pauta de ensino e formulários de teste escrito para verificação teórica. Dentro dos três níveis dos planos; tem-se, segundo Libaneo (1994): o plano da escola; o plano de ensino (ou plano de unidades); e o plano de aula e com isso, foi verificado que a escola de vela, em questão utiliza-se de um plano de curso, ou de ensino para orientar seu ensino por um período de seis meses e este identifica de forma coerente os seus objetivos gerais, específicos e conteúdos dispostos em unidades com quantidade prevista de números de aulas para administrar os preceitos objetivados. Em relação ao plano da escola verificou-se que esta escola pode se adaptar aos planos de várias instituições de ensino numa possível parceria, pois os conteúdos de seus planos são amplos e com uma visão da preparação do educando não só para o esporte a vela mais também para a vida e sua cidadania.

Verificou-se também a existência de materiais didáticos e de controle de presença. Como material didático se utiliza uma apostila que aborda os conteúdos teóricos e práticos do esporte, além de tópicos como: preservação ambiental e técnicas de alongamento, este instrumento pedagógico apresentado tem em sua concepção uma visão mais ampla da ação docente, principalmente quando colocado em comparação a outras publicações que visão a instrução deste esporte. Podemos citar entre outras obras a que desenvolveu Outro livro sobre o assunto dispõem em seus objetivos e conteúdos a intenção de desenvolver todos os aspectos relativos ao ato de velejar, como em sua primeira parte em que a preocupação já denota o resto da publicação, pois este texto fala sobre a primeira navegação alertando para a escolha do dia e da vestimenta adequada ressaltando o uso do salva vida em toda velejada (KIBBLE e KIBBLE, 1989, p. 6). As publicações estudadas são bem desenvolvidas, porém denotam um tipo de preocupação em seu conteúdo que é o ponto de diferença em relação ao material da Yacht Escola de Vela. O controle de presença se dá com a confecção de uma chamada para a marcação de faltas e data individual de início de curso. Com isso é possível se ter uma visão do aproveitamento de aula e diferença de nível de cada aluno. Devido a estes fatores é possível se ter um controle do nível das atividades aplicadas para cada indivíduo. Durante o desenvolvimento inicial do ensino de um esporte escolar tradicional é facultada ao docente a explicação da origem e história do esporte em questão (informação verbal)1, com isso; efetuou-se uma verificação histórica do esporte a vela, objetivando observar-lo no plano nacional e internacional.

Como afirma Fernandes (2006); mesmo que não se tenha muitas informações registradas deste começo pode-se adquirir, com o estudo de tipos de construções navais de embarcações a vela e sua evolução, dados que permitem efetuar comparações entre os tipos de barcos e suas finalidades.

No Brasil a história também se demonstra obscura sobre o surgimento da primeira embarcação a vela, mais tem-se um vasto material sobre o esporte a vela “moderno” e pode-se dizer que a partir de “1906 foi criado em Botafogo, Rio de Janeiro o primeiro clube de vela brasileiro, chamado Yacht Club Brasileiro. Em 1914, outro tradicional clube foi fundado na cidade de Niterói com o nome Rio Sailing Club” (FERNANDES, 2006, p. 43 apud SHMIDT, 2005). Identificamos a presença de uma pequena passagem da origem histórica da vela no material didático da Yacht Escola de Vela. Neste momento passa-se a relatar os resultados da investigação sobre o trabalho individual e coletivo da metodologia aplicada. Temos como objetivos constantes do PCN: a integração social; o respeito mútuo; a não descriminação por características físicas, pessoais, sexuais ou sociais, neste contexto as aulas de Iatismo observadas demonstraram que apesar da utilização de um equipamento individual, o barco da classe Optimist ou Laser, é possível se fazer um trabalho que envolva o grupo, sendo este fato de preferência dos próprios alunos que fazem uso em conjunto de vários barcos resultando numa interação náutica entre todos alunos que estão velejando. É importante realçar que o esporte oferece condições iguais para os dois sexos não ficando latente a diferenças entre as competências de meninos e meninas, pois o equipamento não prioriza, na maioria dos casos, movimentos predominantemente masculino ou feminino, desta forma atende a um cuidado especial contido no PCN, quando diz: “particularmente no que diz respeito às diferenças entre as competências de meninos e meninas deve-se ter um cuidado especial” (2000, p. 83).

Quanto ao método de exposição foram encontradas formas peculiares, como também iguais às tradicionais. Como inusitado, descreve-se o local em que se desenvolvem as aulas teóricas, que é executada na praia da sede da escola, onde as crianças sentam ou na areia ou no deck limítrofe da praia. A disposição dos alunos fica livre para a escolha de cada aluno, com apenas uma determinação exposta pelo professor, a de que fiquem a frente do quadro para a demonstração da teoria que é feita com informações e desenhos ilustrativos. Ficou patente que em conjunto com as explicações teóricas são efetuadas ilustrações, através de desenhos e até de demonstrações práticas, como no caso da demonstração da influência do vento sobre a superfície da vela que foi utilizado uma folha de papel em que ao se assoprar pela superfície superior do papel, este se movimenta para cima e não para baixo como seria a lógica do conhecimento leigo de que o vento empurra a vela. Nesta demonstração fica visível que o vento soprado pela superfície superior do papel colocado à frente da boca e segurando as extremidades no sentido esquerdo e direito em relação a pessoa esta fazendo este exercício, faz com que este papel suba sugerindo que o vento suga o papel para cima. Esta ação é empreendida por todos os alunos e com isso, de acordo com a consideração feita por Libaneo (1994, p. 178), que diz:

Se considerarmos o processo de ensino como uma ação conjunta do professor e dos alunos, na qual o professor estimula e dirige atividades em função da aprendizagem dos alunos, podemos dizer que a aula é a forma didática básica de organização do processo de ensino.

Podemos dizer que as ações pedagógicas observadas se encontram dentro de um processo de ensino onde cada aula é efetuada dentro de uma situação didática específica, que combinam os objetivos e conteúdos com as didáticas e métodos de ensino objetivando propiciar aos alunos a assimilação ativa de conhecimentos e habilidades (LIBANEO, 1994).

A investigação neste momento volta-se para as habilidades motoras e psicomotoras desenvolvidas através deste. As habilidades motoras e psicomotoras que se observou na prática de ensino do esporte a vela foram, principalmente as com relação aos elementos natos e inatos adquiridos nas práticas diárias ou durante o uso de, por exemplo, uma bicicleta ou em outras brincadeiras ou jogos. As habilidades motoras principais identificadas foram: Força dinâmica e estática, agilidade, flexibilidade, equilíbrio estático e dinâmico e resistência muscular localizada. As principais habilidades psicomotoras analisadas foram: velocidade de reação, coordenação psicomotora, lateralidade, percepção espaço temporal e descontração diferencial parcial ou total. Todas as habilidades observadas se assemelham em muito aos necessários nos esportes educacionais tradicionais como, por exemplo, o futsal.

O desenvolvimento cognitivo é bastante trabalhado pela metodologia observada, principalmente quando em vários momentos das aulas e principalmente durante a utilização do barco; o aluno se depara com situações novas e problemas diferentes que deverão ser solucionados por eles durante o uso da embarcação, visto que são eles os capitães de seus barcos e por isso compete a eles, com a devida orientação do professor, tomar as decisões necessárias para resolver as questões que se apresentam. Este fato permite o desenvolvimento das capacidades sócio-afetivas como: cooperação, respeito, auto-estima, autocontrole, entre outras.